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09/07/2026

Vale confirma compensação financeira a ex-conselheiro que renunciou sob pressão da Previ

Empresa diz à CVM que assinou contrato de não confidencialidade e não difamação. Política de remuneração da mineradora não prevê benefício pós emprego a membros do conselho (Por Nicola Pamplona)

A Vale confirmou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que vai pagar compensação financeira ao ex-conselheiro Daniel Stieler, que renunciou no início da semana em meio a pressão da Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

A compensação foi questionada na autarquia por um investidor, considerando que a política de remuneração da mineradora não prevê esse tipo de benefício a membros do conselho de administração. Na quarta-feira (8), a CVM abriu processo para investigar o tema.

Em resposta, a Vale disse que celebrou com Stieler um contrato de "não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade pelo período de 24 meses, tendo em vista o amplo acesso que teve a informações confidenciais e estratégicas do Grupo Vale durante o exercício de suas funções".

"Por se tratar de desligamento não planejado, ocorrido enquanto havia temas estratégicos ainda em maturação no âmbito de suas funções", justificou a companhia, "tornou-se necessária a adoção de cuidados adicionais no processo de transição". O mandato do executivo venceria em abril de 2027.

A própria empresa, porém, reforça no texto que sua política de remuneração para o conselho de administração não prevê benefícios pós-emprego ou de cessação de cargo. O contrato com Stieler, afirma, é "um instrumento específico e extraordinário".

A Vale não informou o valor que será pago a Stieler, que ocupava a presidência do conselho de administração. Em 2025, ele recebeu R$ 3.227.961, o equivalente a cerca de R$ 268 mil por mês, segundo documento apresentado pela companhia a investidores no início do ano.

Disse apenas que os valores da compensação "foram objeto de análise por empresa internacionalmente reconhecida" e que "estão em linha com as práticas de mercado e com os objetivos pretendidos pela companhia para situações dessa natureza".

As informações foram dadas no início da manhã desta quinta (9) em resposta a questionamento da CVM em investigação provocada por reclamação do investidor Renato Chaves, especialista em governança corporativa.

Procurada nesta quinta, ainda não respondeu a novo pedido de esclarecimentos sobre o tema.

A CVM não dá detalhes do processo. A Folha apurou que, nele, Chaves questiona descumprimento do artigo 154 da Lei das SA, que proíbe a prática pelos administradores de atos de liberalidade às custas da companhia.

Maior acionista individual da Vale e responsável pela indicação de Stieler ao conselho, a Previ queria a vaga de volta, mas o executivo resistia. Em junho, a fundação pediu assembleia de acionistas para destituí-lo.

Stieler seguiu resistindo e, em defesa apresentada ao conselho de administração, acusou a fundação de atropelar ritos internos, enfraquecer a governança da companhia e abusar de seu poder de voto.

Procurada, a Previ ainda não se manifestou sobre o tema. Em entrevista há duas semanas, a fundação diz que quer fomentar a independência no conselho da Vale. Por isso, indicou à presidência o conselheiro Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, líder dos conselheiros independentes. (Fonte: Folha de SP)

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