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Sindicato dos Bancários de Paranaguá

Mover vende sua participação acionária de 15% na Motiva ao Bradesco BBI por mais de R$ 5 bi

28/04/2026
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Com o negócio, holding do ex-grupo Camargo Corrêa liquida dívida de mais de R$ 3,3 bi com o banco; atuais acionistas da concessionária de infraestrutura têm direito de preferência (Por Ivo Ribeiro)

Após alguns meses do início do processo de venda, no fim do ano passado, a Mover Participações (ex-Camargo Corrêa) vendeu sua participação acionária de 14,86% na empresa de infraestrutura Motiva (ex-CCR) para o banco Bradesco BBI, banco de investimentos do grupo Bradesco, por mais de R$ 5 bilhões. O negócio, conforme apurou o Estadão com pessoas a par das negociações, foi concretizado na noite desta sexta-feira, 24.

Com isso, a Mover quita sua dívida de cerca de R$ 3,3 bilhões (valor do início de 2025) com o BBI e ainda fica com caixa de cerca de R$ 500 milhões, líquidos de impostos da transação e outras despesas financeiras. A Mover havia dado o pacote de ações em garantia a uma dívida contraída com o banco pela cimenteira Intercement.

A venda está sujeita ao direito de preferência do atuais acionistas do Bloco de controle da Motiva — grupo Votorantim, Itaúsa e grupo Soares Penido. Esses acionistas terão um prazo de 30 dias após a notificação. Todos têm fatia de ações igual (10,3% cada um) dentro do bloco de controle da Motiva.

Os três acionistas vão avaliar a proposta de compra da participação acionária: valor da transação, o comprador — Bradesco BBI — e as condições do negócio. Só então vão decidir se ficam com o pacote de ações, de forma proporcional, ou aceitam a entrada do novo sócio, que herda da Mover direito a participar do bloco de controle.

Nesta segunda-feira, 27, a Motiva confirmou a transação, informando que recebeu carta de Sucea Participações S.A. e Sincro Participações S.A. (controladas do Grupo Mover detentoras das ações) no dia 24 do mês sobre a venda da totalidade das ações de emissão da Motiva, 14,86% do capital social, diante de oferta vinculante recebida do Banco Bradesco BBI S.A. Acrescentou que os demais acionistas do bloco de controle poderão, no prazo de 30 dias exercer seus respectivos direitos de preferência.

Procurado, o Bradesco BBI informou que não comenta. A Mover também não se manifesta sobre a transação.

Joia da coroa
A princípio, parece ter sido um bom negócio para a Mover, uma vez que a ação da Motiva subiu bastante nos últimos meses, valorizando os seus papéis. Essa participação da holding, que entrou em recuperação judicial no fim de 2024, era a joia da coroa de seus ativos, pois a InterCement, sua empresa de cimento com operações no Brasil e Argentina, também buscou proteção judicial contra credores na mesma data.

Em março o Estadão noticiou que o BBI, nomeado para vender as ações na Motiva em processo competitivo no mercado, teve negociações mais firmes com dois grupos internacionais: o fundo canadense La Caisse (ex-CDPQ) e o fundo soberano GIC Private, de Singapura. O banco apresentou o ativo (fatia acionária) a mais de 30 investidores desde o início do processo.

Dentre as ofertas recebidas pelo BBI, uma delas ficou entre 10% e 15% abaixo do valor de mercado das ações da Motiva em poder da Mover naquele momento, de acordo com informações. A Mover e o BBI não consideravam vender por valor inferior ao das ações da concessionária de infraestrutura na B3.

A empresa, na sexta-feira, 24, fechou com valor total de mercado de RS$ 33,03 bilhões (R$ 16,48 a ação). A fatia da Mover correspondia a R$ 4,95 bilhões. A Mover obteve um prêmio na transação.

A holding da família Camargo detinha as ações da concessionária por meio de duas empresas controladas: Sucea Participações e Sincro Participações. Do total — cerca de 300 milhões de papéis —, a Mover tem 10,33% dentro do acordo de acionistas da Motiva.

Os 4,53% restantes são fora do bloco de controle, livres para venda em separado no mercado, caso o comprador, ou os atuais acionistas, queiram apenas as ações com direito a voto.

Após o fechamento da operação, que depende a decisão dos atuais acionistas, a Mover fica com caminho aberto para encerrar o processo de recuperação judicial. A holding já quitou as pendências com pequenos e médios fornecedores, que eram um valor baixo. O grande credor, de fato, era o BBI.

Fim da recuperação judicial
A Motiva, maior companhia de concessões de infraestrutura do País, está presente em rodovias (Bandeirantes, Anhanguera, Dutra e outras) e em linhas de linhas de metrô (como o CCR Metrô Bahia, de Salvador).

No final do ano passado e início deste, a empresa fechou a venda de todo o seu portfólio de ativos na área de aeroportos. É uma companhia com receita anual de R$ 15,3 bilhões (2025).

De outubro até março, o valor de mercado da concessionária subiu cerca de 25%, com ação passando de R$ 13,78 a R$ 17,21. As incertezas do cenário internacional, econômico e geopolítico também contribuíram para um pouco de atraso na venda da participação acionária, conforme pessoas do setor disseram ao Estadão.

Neste mês, com a transação da participação acionária na Motiva, a Mover chegou ao desfecho para sua própria recuperação judicial, bem como da InterCement.

A cimenteira foi transferida no início de abril aos novos acionistas (grupo do empresário argentino Marcelo Mindlin e as gestoras Redwood Capital e Moneda Pátria), recebendo em contrapartida R$ 500 milhões por 100% das ações ,porém livre de todos os passivos. (Fonte: Estadão)

Notícias FEEB PR

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