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Sindicato dos Bancários de Paranaguá

Bradesco BBI vai assumir lugar da Mover no bloco de controle da Motiva em negócio de R$ 5,2 bi

05/06/2026
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Assinatura do contrato de transferência das ações deve ocorrer a partir da próxima semana; Votorantim, Itaúsa e Soares Penido não exerceram direito de preferência (Por Ivo Ribeiro e Cynthia Decloedt (Broadcast)) - imagem divulgação -
Resumo
O Bradesco BBI tornou-se acionista do bloco de controle da Motiva, adquirindo 14,86% das ações da Mover Participações. A transação, realizada em 24 de abril, permitiu à Mover quitar uma dívida de R$ 3,8 bilhões com o BBI, fruto de um empréstimo de 2013. A venda, avaliada em R$ 5,2 bilhões, ocorreu em um momento de valorização das ações da Motiva. A Mover, em recuperação judicial, usará parte dos R$ 500 milhões recebidos para encerrar seu processo judicial.
O Bradesco BBI, banco de investimentos do grupo Bradesco, será o novo acionista do bloco de controle da concessionária de infraestrutura Motiva (ex-CCR). O banco vai assumir as ações que pertenciam à Mover Participações, holding do ex-grupo de engenharia e construção pesada Camargo Corrêa.

Os demais acionistas do bloco de controle da Motiva — grupos Itaúsa, Votorantim e Soares Penido — tiveram um mês para exercer seu direito de preferência sobre as ações da Mover. Decidiram não exercê-lo, e um dos motivos, segundo informações, é que o valor estava acima das expectativas. Itaúsa e Votorantim estão de olho em outros investimentos na área de infraestrutura no País.

Procurado, o Bradesco BBI informou que não comenta. A Mover também não se manifesta sobre a transação. Pessoas próximas da Votorantim confirmaram a falta de interesse em ficar com parte das ações.

A fatia da Mover na Motiva correspondia a uma participação de 14,86% do capital da concessionária. Conforme apurou o Estadão entre pessoas com conhecimento da transação, os papéis deverão ser transferidos ao BBI a partir da próxima semana, em reuniões para assinar o contrato de compra e venda das ações.

O BBI adquiriu a participação acionária dentro das negociações para receber seu crédito com Mover, fruto de um empréstimo feito em 2013 à InterCement, cimenteira da Camargo Corrêa. Em 2021, em acordo com o banco, a Mover concordou em dar suas ações na Motiva em garantia à dívida.

O valor do crédito do BBI, conforme informações obtidas pelo Estadão, foi atualizado em 24 de abril, dia da venda das ações, em cerca de R$ 3,8 bilhões. A participação acionária teve valor de venda ao redor de R$ 5,2 bilhões, com um ágio em favor da Mover, em relação ao preço da ação na B3 desta quarta-feira, 3, na faixa de 20%.

Pelo acordo firmado em julho de 2025, a Mover vai embolsar cerca de R$ 500 milhões do valor da venda, arcar com custos e tributos da operação e saldar a dívida com o BBI.

O negócio entre a Mover e o BBI foi concretizado em 24 de abril, e o prazo para exercer direito de preferência passou a conta no dia 29. A Motiva confirmou a transação, no dia 27, informando que recebeu carta de Sucea Participações S.A. e Sincro Participações S.A. (controladas do Grupo Mover detentoras das ações) no dia 24 sobre a venda dos 14,86% do capital social da Motiva, diante de oferta vinculante do Bradesco BBI.

Joia da coroa
A transação com o BBI, segundo avaliações de executivos do setor, foi boa para a Mover: primeiro, porque realizou a venda momento favorável de preço das ações da concessionária, com ótima valorização desde o ano passado; segundo, permitiu à holding quitar sua dívida de mais de uma década com o grupo Bradesco.

Os papéis da Motiva eram negociados na B3 nesta quarta-feira, 3, na faixa de R$ 14,00, representando um valor de mercado de R$ 28 bilhões para a empresa. No dia da venda ao BBI, a ação valia R$ 16,48; e a empresa, R$ 33,03 bilhões.

A participação da Mover, que entrou em recuperação judicial no fim de 2024, era a joia da coroa dos ativos restantes da Mover, pois a InterCement, sua empresa de cimento, com operações no Brasil e na Argentina, também teve de entrar em processo de recuperação judicial na mesma data.

No bloco de controle da Motiva, os direitos de voto correspondiam a 10,33%, fatia semelhante à dos demais acionistas. A diferença, 4,53%, está livre para ser negociada em operações no mercado acionário.

Ponto final à recuperação judicial

A Motiva, maior companhia de concessões de infraestrutura do País, está presente em rodovias (Bandeirantes, Anhanguera, Dutra e outras) e em linhas de linhas de metrô (como o CCR Metrô Bahia, de Salvador). No final do ano passado e início de 2026, a empresa fechou a venda de todo o seu portfólio de ativos na área de aeroportos.

No ano passado, a concessionária de infraestrutura atingiu receita líquida de R$ 15,3 bilhões. Com a transação, a Mover abre caminho para encerrar sua própria recuperação judicial.

A holding já tinha recebido outros R$ 500 milhões em abril ao transferir sua participação de 100% na InterCement aos credores da cimenteira — grupo do empresário argentino Marcelo Mindlin e as gestoras Redwood Capital e Moneda Pátria, que se tornaram novo investidor no mercado cimenteiro do País. (Fonte: Estadão)

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