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Sindicato dos Bancários de Paranaguá

Desemprego até janeiro fica em 5,4% e renda média do trabalhador atinge recorde

06/03/2026
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Resultado ficou em linha com a mediana das estimativas colhidas pelo ‘Projeções Broadcast’; renda média real do trabalhador foi de R$ 3.652,00 no período (Por Daniela Amorim (Broadcast)) - foto IA -

A taxa de desemprego no País subiu de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025 para 5,4% no trimestre móvel terminado em janeiro de 2026. Apesar do avanço, que tem influência da dispensa sazonal de trabalhadores temporários, a taxa de desocupação está no nível mais baixo para trimestres encerrados em janeiro em toda a série histórica, iniciada em 2012. Em igual período do ano anterior, a taxa de desemprego estava em 6,5%.

Em meio ao emprego ainda resiliente, tanto a massa de salários quanto a renda média do trabalho renovaram picos históricos no trimestre encerrado em janeiro. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Um mercado de trabalho aquecido ajuda a impulsionar a atividade econômica, o que é positivo para o País, mas também dificulta o controle da inflação, principalmente de serviços. Os dados de hoje, somados às incertezas no cenário global, reforçam a necessidade de cautela por parte do Banco Central e corroboram nossa projeção de um início gradual do ciclo de cortes (na taxa básica de juros, a Selic)”, previu a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário, projetando uma redução de 0,25 ponto porcentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do BC.

O total de pessoas em busca de uma vaga no País somou 5,851 milhões no trimestre até janeiro, menor contingente da série histórica comparável, que elimina trimestres móveis com repetição de respostas na amostra.

Ao mesmo tempo, a população ocupada alcançou o maior patamar da série histórica comparável, 102,671 milhões no trimestre encerrado em janeiro. Na passagem do trimestre encerrado em outubro para o trimestre terminado em janeiro, a taxa de desemprego manteve-se em 5,4%.

Foram absorvidos mais 116 mil trabalhadores no período, e 59 mil pessoas deixaram o desemprego. A melhora teve ajuda também de um aumento na inatividade, 274 mil pessoas a mais nessa condição em um trimestre. O nível da ocupação – que mostra a proporção de pessoas trabalhando dentro da população em idade de trabalhar – ficou em 58,7% no trimestre até janeiro, maior patamar para este período do ano.

“De modo geral, costuma haver crescimento dessa taxa de desocupação, sendo que isso pode ocorrer ao longo do primeiro trimestre do ano”, lembrou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE. “Apenas a composição de janeiro, que é um momento de dispensa de trabalhadores temporários, esse efeito sazonal de saída do mercado de trabalho ainda não é suficientemente forte para neutralizar os efeitos de expansão do mercado de trabalho presentes em novembro e dezembro. A gente vai ter que esperar a entrada do mês de fevereiro e posteriormente de março, que aí integralizam a composição do primeiro trimestre, para ver essa virada, a integralidade do efeito sazonal, que aqui ainda pode não estar sendo imediato, pode estar sendo gradativo.”

O País encerrou o quarto trimestre de 2025 com uma taxa de desocupação no piso histórico, decorrente de um processo consistente de expansão no número de trabalhadores na ocupação, notou Beringuy.

“Esse crescimento é sustentado, e não apenas pontual em algum momento do ano de 2025, mas sim verificado ao longo de todo o ano”, aponta Beringuy. “Essa sazonalidade de retração da ocupação não foi suficientemente forte para reduzir a população ocupada que vinha em crescimento ali em 2025.”

O total de pessoas com carteira assinada no setor privado ficou em 39,351 milhões de trabalhadores, 169 mil vagas a mais em um trimestre. O número de trabalhadores por conta própria subiu a um ápice de 26,188 milhões, 284 mil a mais em um trimestre. Enquanto o número de empregados sem carteira assinada no setor privado totalizou 13,428 milhões, 177 mil a menos em um trimestre.

Como ficou a renda média?
A massa de salários em circulação na economia renovou patamar recorde no trimestre encerrado em janeiro, totalizando R$ 370,338 bilhões. O rendimento médio real dos trabalhadores também subiu ao ápice da série, para R$ 3.652 no período.

“Desde 2023, a massa de rendimento tem observado variações positivas. A alta contínua na massa de rendimento cresce com mais emprego e melhora na qualidade das vagas. O crescimento da massa se dá tanto do ponto de vista do maior número de pessoas trabalhando, quanto do ponto de vista de maior contingente de pessoas com rendimentos maiores. O rendimento cresce tanto porque você tem mais trabalhadores com vínculos mais estáveis, como a carteira assinada, quanto também dentro do segmento da informalidade, esses trabalhadores informais também estão tendo crescimento do rendimento”, resumiu Beringuy.

Na comparação com o trimestre terminado em outubro de 2025, a massa de renda real cresceu 2,9% no trimestre terminado em janeiro, R$ 10,527 bilhões a mais. O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve uma alta real de 2,8% na comparação com o trimestre até outubro, R$ 100 a mais.

“O ambiente de baixo desemprego, escassez de trabalhadores em alguns setores e aumento real do salário mínimo explicam esse forte aumento dos rendimentos do trabalho”, avaliou o economista da Suno Research, Rafael Perez, em comentário.

Segundo Beringuy, do IBGE, a manutenção da carteira assinada no setor privado em patamares recordes também puxa o rendimento recorde. O mercado de trabalho segue mantendo um aumento das vagas formais, com redução no contingente de trabalhadores informais.

A taxa de informalidade foi de 37,5% no trimestre até janeiro, a menor desde 2020, quando o País estava afetado pela pandemia de covid-19. Porém, o resultado desta vez não reflete uma expulsão de trabalhadores informais do mercado de trabalho, mas uma composição de maior qualidade do emprego existente, que atualmente é das melhores da série histórica iniciada em 2012, confirmou Adriana Beringuy, do IBGE.

A menor taxa de informalidade da série histórica da Pnad Contínua foi de 36,6%, registrada no trimestre até junho de 2020.

“Essa taxa mais baixa em 2020 é porque o trabalhador informal foi retirado do mercado de trabalho naquela época”, frisou a pesquisadora.

Em um trimestre, 284 mil pessoas deixaram de atuar como trabalhadores informais. O total de vagas no mercado de trabalho como um todo no período aumentou em 116 mil postos de trabalho. Ou seja, o emprego cresceu via formalidade, enquanto o contingente informal diminuiu. (Fonte: Estadão)

Notícias FEEB PR

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