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Conheça as mulheres que lideram dois dos maiores bancos no Brasil

15/03/2024
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A partir da esquerda, Tarciana Medeiros, do BB e Sylvia Coutinho, do UBS: desafios e conselhos - foto divulgação -

Em ordem alfabética: Sylvia Coutinho, CEO do banco suíço UBS na América Latina, e Tarciana Medeiros, presidenta do BB, falam sobre suas trajetórias (Por Cláudio Gradilone)

Elas têm origens e formações diversificadas. São a cara da sociedade brasileira, com seus jeitos, afetos, cores e sotaques distintos. Porém, com algo em comum: em um segmento da economia predominantemente masculino, o mercado financeiro, elas lideram com um sucesso inegável bancos de primeira linha.

Em entrevistas exclusivas à Forbes, Sylvia Coutinho, CEO do UBS na América Latina e Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, falam sobre suas carreiras, sobre os desafios que enfrentaram ao longo do caminho e dão conselhos às jovens que querem seguir seus exemplos.

Sylvia Coutinho, head do UBS na América Latina

Formada em engenharia agrônoma e pós-graduada em economia agrícola pela Esalq/USP, com um MBA pela Columbia University, Coutinho fez carreira em bancos internacionais. Tem quase quatro décadas de experiência no mercado financeiro. Trabalhou 19 anos no Citi, no Brasil e nos Estados Unidos. Em 2003, trabalhando em Nova York, mudou para o HSBC, onde passou cerca de dez anos cuidando das áreas de wealth management e asset management na América Latina. Assumiu a presidência do suíço UBS no Brasil em 2013, e foi promovia em julho de 2023, quando passou a dirigir as operações de toda a América Latina, após o UBS ter adquirido o arquirrival Credit Suisse, que ameaçava quebrar pelos problemas na matriz.

Questão do gênero
“Ser mulher algumas vezes atrapalhou minha trajetória profissional. Mas, em retrospecto, mais ajudou do que atrapalhou. Estou convencida que a diversidade sempre vai trazer melhores resultados para os negócios. E é justamente por isso que sempre quero trabalhar com pessoas de gêneros e culturas diferentes.

“No início da minha carreira havia muito mais barreiras e dificuldades do que hoje. Por muitos anos fui a única mulher nas reuniões. Tínhamos que trabalhar em dobro, tanto em quantidade quanto em qualidade, para conseguir competir de igual para igual. Perdi muitas consultas médicas, reuniões importantes de escola, e até aniversario dos meus filhos…

Carreira x família
“Sempre tive o apoio masculino. Meu pai me incentivou a estudar e a fazer todas as atividades que eu queria. Meu marido sempre foi muito parceiro. Tive o apoio dele em momentos cruciais como minha primeira mudança para os Estados Unidos em 1996, com filhos pequenos. Sem essa experiência internacional eu jamais estaria onde estou hoje.

“Abri mão de ter um terceiro filho quando surgiu outra expatriação de trabalho, e me arrependo. Porém noto uma mudança. Naquela época, muito provavelmente teriam cancelado a oferta. Hoje, dificilmente isso aconteceria.

“O cenário está muito melhor atualmente. As empresas buscam ativamente aumentar as lideranças femininas, no mercado financeiro e em todos os setores. Entretanto ainda precisamos avançar. A independência financeira, associada à educação financeira, é fundamental para que as mulheres possam ter uma real liberdade de escolha na vida, para si e para seus filhos.

“Acho que a escolha entre carreira e família será cada vez menos um ‘dilema’. Hoje as mulheres têm mais opções, são mais demandadas e os parceiros são mais participativos. Vejo isso pelos meus filhos. Há uma mudança muito grande de comportamento. A evolução será exponencial e não linear.

Conselho para quem está começando

“Meu conselho: estude muito, esteja aberta às oportunidades e escolha um parceiro que realmente apoie os seus sonhos.

“Ter mulheres em cargos importantes é um dos principais fatores para acelerar esse processo. Uma jovem que está na faculdade ou já entrando nesse mercado se sente confiante ao ver uma liderança feminina. Ela percebe que também pode chegar lá.”

Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil

Ela é filha de Maria. E neta. E sobrinha. “Minha mãe, minhas duas avós e minhas tias todas se chamam ou se chamavam Maria” diz Tarciana Medeiros, primeira mulher a presidir o Banco do Brasil nos 215 anos de história da instituição. “Com as Marias da minha vida eu aprendi que eu poderia ser o que eu quisesse ser. Aprendi a não desistir dos meus sonhos.

Aprendi que sem educação não somos nada e que estudar tem poder libertador”, diz. Funcionária de carreira do BB, ela foi indicada à presidência no início de 2023. Em fevereiro deste ano, anunciou o maior resultado da história do banco, um lucro de R$ 35,6 bilhões. Os investidores não têm do que reclamar. Em 2023, as ações do BB se valorizaram 76,2% ante uma alta de 22,3% do Ibovespa, a média do mercado. Em 2024, até a sexta-feira (8), a alta das cotações do banco era de 5,9%, enquanto o Ibovespa amargava uma queda de 6,8%.

Questão de gênero
“Toda mulher sabe que, só por ser mulher, passa, já passou ou vai passar por situações de machismo. Isso vale no mercado de trabalho, e também vale no cotidiano, na rua ou na família. No trabalho há um peso maior nas áreas em que os homens são, historicamente, maioria.

“Não diria que ser mulher me atrapalha ou atrapalhou. Eu sempre tive inspirações dentro de casa. Aprendi com as mulheres da minha família a não ter vergonha de trabalhar, desde que eu era feirante. Passei por desconfianças e enfrentei esse sentimento de algumas pessoas duvidarem da minha capacidade apenas por ser mulher. Falar que isso não existe mais seria exagero, mas posso dizer que temos avançado – e muito.

Carreira x família

“Essa questão persiste, sim. Para muitas mulheres, há o momento de fazer uma escolha perversa: se dedicar mais à família e reduzir a jornada de trabalho ou de focar na carreira e sofrer reflexos no âmbito familiar. Conciliar maternidade e trabalho pode ser exaustivo. A única maneira de amenizar essa situação passa pelo compartilhamento de tarefas e responsabilidades com seu companheiro ou companheira. E claro, contribui muito para essa mulher contar com o apoio da empresa em que ela atua.

“No BB, oferecemos benefícios para funcionárias e funcionários no cuidado com suas famílias. Porque cuidar da família também vale para os homens. Oferecemos licença-maternidade e paternidade maiores do que a lei exige. Oferecemos licença-adoção, redução de jornada e priorização de movimentação em situações específicas. A equiparação salarial é uma realidade há décadas. E isso é o básico.

“Eu sou mãe e conto com o apoio da minha companheira e da empresa em que eu trabalho há mais de 20 anos. Isso faz toda a diferença. A diversidade ainda precisa evoluir na sociedade e na estrutura das organizações. Esse reconhecimento é o primeiro passo.

“Somos feitos de gente de todo jeito, de todas as regiões. O Brasil é assim. O BB é assim. Cada um do seu jeito, com suas características, a partir da pluralidade de ideias, pode quebrar preconceitos, abrir horizontes e conquistar oportunidades. Pela primeira vez na história, o Banco do Brasil tem 45% de mulheres, 22% de pessoas negras e dois membros autodeclarados do grupo LGBTQIAPN+ em seu Conselho Diretor.

Conselho para quem está começando
“Não desista. Não deixe de lado suas raízes nem seus valores éticos. Estude muito e valorize quem está ao seu lado na caminhada da vida. Se um dia eu for exemplo para alguém, eu vou ficar extremamente honrada

“Tenho muitas histórias para contar, desde a minha primeira experiência profissional, quando eu era feirante lá em Campina Grande, na Paraíba. Sou a mesma pessoa por alguns parâmetros, mas evoluí muito por outros.

“Não estou romantizando as dificuldades. Os desafios sempre foram grandes. Mas sempre busquei colocar o foco nos meus anseios. Sempre fui mais de buscar as soluções do que lamentar os problemas.

“Vivemos em transformação. Devemos buscar ser pessoas melhores, funcionários melhores, mães e pais e filhos melhores, dentro da realidade de cada um, com base no que é melhor para cada um.” (Fonte: Forbes)

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